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"A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais..." (Clarice Lispector)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Vivendo de ternura...

"Quando eu envelhecer ( e eu já estou envelhecendo)
vou envelhecer com o infinito na palma da mão,
vou contar todas as linhas da minha vida
sem exatidão ou pressa.
Tudo pode esperar.

Não vou me importar muito
se meu corpo for frágil e o motorista
do ônibus não quiser me esperar,
não vou reclamar da vida, nem dos jovens,
nem dessas coisas que as pessoas deixaram
para trás. Vou apenas seguir em frente,
mostrando minhas ruguinhas com gratidão,
caminhando lentamente porque
tudo pode esperar agora.

E quando finalmente eu for me embora,
que pelo ao menos o meu país esteja em festa.
Não quero que ninguém note que viajei.
Quero ir em paz e sem pressa,
caminhando por entre as flores
e as nuvens, com os cabelos soltos
e branquinhos, carregando no corpo
a memória da delicadeza.

Porque a vida é sempre o que resta
depois da vida.
Porque envelhecer é viver de ternura...
"

(Karla Bardanza)

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